Hair goals of a lifetime

O relacionamento que eu tenho com meu cabelo é conturbado. Sempre foi assim, desde pequena. Minha mãe, como a maioria das mães brasileiras cujo filhos têm cabelo crespo/cacheado, resolveu alisar meu cabelo logo quando completei idade de que podia passar por procedimentos químicos. Foi uma boa escolha? Não sei, porém ela trabalhava e não tinha tempo de ficar domando meu cabelo e eu teria que me virar sozinha com o pente. Sempre tinha uma caixinha com a cara do Netinho em casa, acho que era o único relaxamento capilar que se podia usar em crianças na época. Na época eu queria era mais brincar do que ficar ligando pra cabelo, fazer castelinhos de terra era mais importante pra mim. Usar cabelo solto era raro e minha mãe não gostava nem um pouco, cabelo tinha que ser preso com um monte de gel pra nenhum fio se rebelar. Assim ela fora ensinada, que cabelo duro tem que estar preso, o mais preso possível. Tão preso que até hoje não suporto por presilhas na cabeça que sinto doer o couro cabeludo.

O tempo passou e esse eterno relacionamento com as químicas foram pra um próximo nível: a chapinha. Porque a moda era cabelo liso que nem da Lucy Liu e cabelo cacheado era ultrapassado. Lá fui eu, experimentar mais uma das artimanhas para ficar com o cabelo em ordem. Era adepta as tinturas também, já que toda expectadora de rebelde queria ter o cabelo da Roberta, então era mais uma coisa que eu colocava no meu cabelo. Daí eu já tinha uns 13/14 anos então fazia sozinha todo o processo. Ah, como era libertador não precisar ficar com o cabelo preso 24hrs. Na minha cabeça aquilo era um alívio.

Depois mais um update: a progressiva! O milagre que deixaria qualquer cabelo liso já no primeiro processo de aplicação. Porém ninguém falava do quão era ruim fazer a tal progressiva. Era olhos ardendo por causa do cheiro do produto (aka formol), cabeça coçando e com menos de duas horas você não sairia do salão. O tempo foi passando e os tipo de progressivas foram evoluindo e chegando ao mercado com várias opções e para qualquer tipo de cabelo existente. Assim o uso do formol fora proibido nos produtos de alisamento capilar e muitos tipos de progressivas surgiram, sendo estipuladas em níveis de alisamento: da mais fraca até as mais fortes (selamento, escova marroquina, alisamento japonês, etc). Lá fui eu experimentar a progressiva pra deixar o cabelo disciplinado e minha mãe feliz, porquê ai de mim querer o cabelo enrolado e ficar parecendo um leão.

No começo era até bom, não precisava me preocupar com muita coisa, mas o que não sabia era que, uma vez feita a progressiva o cabelo ficava dependente dela. A química era tão forte que passados 3 meses o retoque era essencial, ou o cabelo ficava que nem vassoura, li-te-ral-men-te. As pontas ficavam triplas e o cabelo ressecava muito, não tinha hidratação que salvava. E o que fiz, mais uma vez fazendo química no cabelo. 

Hoje eu não sei o que faço com esse cabelo. Não aguento mais passar calor com o secador na cabeça morando em um lugar tão tropical. Tem dia que acordo com vontade de raspar no 0 e deixar crescer porém sei que não sairia de casa e ficaria chorando até o cabelo crescer novamente. Já outros dias quero fazer progressiva de novo e virar japonesa. Quando me decidir me libertarei porque, olha não é fácil ficar nessa indecisão. Agora tá assim, metade cacheado e metade liso-de-progressiva-que-só-sai-cortando, sendo que umas partes crescem mais que outras e há vários tipos de cacheado no meu cabelo (já achei 2c/3a/3b e 3c). Scab hair é tão tenso, tão deprimente que creme nenhum ajuda e ainda não estou pronta pra isso. Além de não ter certeza se conseguirei cuidar de cabelo cacheado pois eu não sei como meu cabelo é, na real não lembro de como meu cabelo era na infância de tanto ficar preso lotado de creme em um rabicó. A vontade de lavar o cabelo e não precisar ficar passando calor com secador e chapinha é grande. 
O meu quadro de inspirações cabelistica é grande, e é a única coisa que tá me segurando de não ir pro darkside da química.
Foco no board de inspiração.




E você, também tem problemas com seus cabelos?


Taís Amaral

6 seasons and a movie, random is my firts name. Futura publicitária que ama Design e tudo o que envolve arte. Se envolve demais com os personagens de séries e tem uns sonhos pós-apocaliptos muito loucos que, um dia, podem virar conto.

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